Resenha: Para Onde Ela Foi

Para onde ela foi


Autor(a): Gayle Forman
Páginas: 239
Classificação:5\5
Sinopse: Meu primeiro impulso não é agarrá-la nem beijá-la. Eu só quero tocar sua bochecha, ainda corada pela apresentação desta noite. Eu quero atravessar o espaço que nos separa, medido em passos não em milhas, não em continentes, não em anos , e acariciar seu rosto com um dedo calejado. Mas eu não posso tocá-la. Esse é um privilégio que me foi tirado. Com a mesma força dramática de Se Eu Ficar, agora pela voz de Adam, Para Onde Ela Foi expõe o desalento da perda, a promessa da esperança e a chama do amor que renasce.


Atenção! Essa resenha contém spoilers do primeiro livro, Se eu ficar. Não tem como falar desse, sem acabar dando spoiler do outro. Mas acredito que mais importante do que saber se ela fica ou não no primeiro, ou o que acontece no segundo, é o como tudo isso acontece. Bom agora, que o recado foi dado, vamos a resenha. 


Você cruzou a água, me deixou para trás
Me matou na praia, e queria mais
Você explodiu a ponte, como uma terrorista
Acenou do outro lado, como uma turista
Comecei a seguir e percebi tarde demais
A terra firme você deixou para trás 
“Bridge”

Hey amores e amoras! Hoje me encontro em uma tarefa difícil! Acredito que sempre que vamos falar de um livro que amamos, sentimos aquele friozinho na barriga, e aquela dificuldade na hora de resenhá-lo. Pelo menos comigo, isso sempre acontece! 

"Ainda assim, sinto necessidade de me lembrar da temporalidade de um dia, me assegurar de que passei pelo dia de ontem, que vou passar pelo dia de hoje."

Assim que li essa frase no início do livro, soube que o que me esperava era muito mais forte, e mais intenso do que em Se Eu Ficar. Na verdade, acho que se tem uma palavra que descreve esse livro, essa é Intensidade. E a beleza da escrita da Gayle se encontra nessa forma intensa como ela descreve os fatos, e conduz a história de forma a mexer com o nosso emocional, nos fazendo por um momento o personagem. Nós sentimos tudo.

Encontrei em Para Onde Ela Foi um Adam e uma Mia, bem mais maduros, e confesso que logo que a Mia surgiu na história, eu me desesperei! Tudo que eu temia era reencontrar uma Mia imatura, e irritante como a de Se Eu Ficar. Mas me surpreendi com a pessoa doce, que encontrei.

"Estou cansado de carregar esse segredo. Estou cansado de me sentir mal por fazê-la viver e me sentir bravo com ela por viver sem mim e me sentir um hipócrita por essa bagunça toda."

Se Eu Ficar, o livro, me deixou com uma sensação estranha quando terminei a leitura, como se o que eu tinha visto não fosse nem o começo. E acho que a sequência veio para comprovar isso. Não consegui achar a Mia irritante, imatura e robótica do primeiro livro. Gostei dessa nova Mia, me entristeci pela sua dor, e até chorei com ela suas perdas. Mas o Adam, literalmente roubou a cena.

Agradeci a todos os deuses, quando vi  o que a Gayle fez com a história. Apresentou-nos personagens amadurecidos, reais e cativantes. E principalmente, nos trouxe mais do Adam. No primeiro livro, ele fica tão ofuscado pelos acontecimentos da história, e pelo modo como a Mia narra tudo, que não se dá para dizer exatamente quem ele é. Ou saber o tamanho do amor que ele tem por ela. E nesse livro, adentramos a mente confusa e atormentada, por ter perdido o grande amor de sua vida.

A história começa três anos depois que toda a catástrofe assolou a vida de Mia. Que Adam a fez ficar, e que Mia o abandonou. Agora ela é um fenômeno da música clássica, ou a próxima Yo-Yo Ma, e Adam é um super astro do rock. A Shooting Star não poderia estar melhor, ele está namorando uma atriz famosa, e vivendo tudo o que sempre quis. Mas da forma errada. Na verdade, ele é um típico astro do rock, não tem mais amizade com seus companheiros de banda, toma remédios controlados por conta dos ataques de pânico, e não ama sua namorada. Adam está destruído.

"Faria aquela promessa milhares de vezes e a perderia milhares de vezes para tê-la ouvido tocar a noite passada ou vê-la esta manhã à luz do sol. Ou mesmo sem isso. Só para saber que ela estava em algum lugar aí fora. Viva."

Pra mim esse foi o primeiro impacto. Eu não sabia bem o que esperar, já que o conhecia pouco, mas me surpreendi muito com a postura dele. Literalmente, não era o mesmo Adam. Mas desde o momento inicial me apaixonei por esse personagem e por toda a beleza contida na intensidade de sua dor. É insuportavelmente triste vê-lo nessa situação, e só nesse momento, que nós notamos o quanto já sabíamos do Adam, sem perceber.

Prestes a embarcar em uma turnê pelo mundo, Adam tem de ir a Nova York. Enquanto espera o momento de voar para Londres, depois de ganhar uma tarde de descanso, após surtar em uma entrevista, ele acaba assistindo a uma apresentação da Mia. Mas a surpresa acontece depois do concerto, quando Mia pede para falar com ele e a mágica acontece.

No mesmo ritmo de Se Eu Ficar,esse livro também segue rápido e fluido. A escrita da autora continua empolgante e instigante, o que torna muito fácil ler, sem se cansar.A história se passa no mesmo período de pouco mais de 24 horas, como no primeiro.E o modo como ela consegue tocar a gente, já virou marca registrada da autora.

Mia e Adam, saem em uma turnê de despedida durante uma noite em Nova York, seria essa a despedida de Mia da cidade, pois ela também fará uma turnê. Estão ambos, estão novamente, em caminhos opostos. Mas nada que uma noite, regada a lembranças, e corações partidos não possa resolver.

Quando chegou essa parte, eu já estava com os caquinhos do meu coração na mão. E vê-lo se retorcendo de dor e mágoa na presença dela, foi ainda pior. Mas, gostei do modo como ele agiu. Ele estava muito zangado, e teve algumas cenas, que apesar de tudo, me fizeram rir.

Nunca serei capaz de descrever a intensidade do Adam. Ele é um personagem único. Nenhuma palavra que eu diga vai conseguir descrevê-lo por completo, não faz jus a quem ele é. Ele não está bem, e isso é visível para qualquer um, mas ele se recusa a ceder. Ele continua, mesmo que nutrido por rancor e mágoas, mas ele segue. Acho que na maior parte do tempo, só pela esperança de um dia reencontrá-la. E quando isso acontece, é uma explosão de sentimentos!

"— Finja até conseguir."

Não dá para deixar de lado a presença constante e notável da música, mais uma vez na história. Ela é como um personagem, não dá para não falar nela. A autora fez algo, que deu um Q a mais na história. Em alguns capítulos, temos trechos de músicas do cd  da Shooting StarColateral Damage, que levaram a banda ao estrelato. E que foram escritas pelo Adam depois do abandono de Mia. As letras são incríveis! E mostram bem tudo que ele está sentindo. É uma mistura de dor, raiva, mágoa... Mais são lindas!

Uma assombração dorme ao meu lado na cama
Cochicha no meu ouvido: A morte te ama
Toma meus sonhos com ódio e sirenes passando
Me beija com ternura quando acordo gritando 
“Boo!”

Como eu disse, a Mia cresceu. Mas ainda tem alguns momentos, poucos, em que dá para ver os traços da antiga Mia, acho que foram as únicas coisas que me incomodaram. Mas que foram rapidamente apagados quando percebi que ela também sofreu muito com tudo.

 O desenvolvimento da história me encantou de forma que o primeiro não conseguiu. E os sentimentos que faltaram em um, vieram a toneladas no outro. Não tem como não chorar, ou se comover com a história desses dois, mas principalmente com o sofrimento do Adam.

"É só que, não sei, o mundo parece grande quando você está ao ar livre. É como se você não tivesse um lugar que pudesse chamar de lar."

Quando terminei Se Eu Ficar, eu não tinha interesse nenhum de ler o segundo, pensei eu que se fosse como o primeiro, me irritaria. Hoje estou super agradecida pelo filme ter despertado em mim a vontade de saber para onde essa história ia. 

Consegui entender o lado da Mia na história, mas ainda não me conformo com o que ela fez. Soou cruel demais para mim, algo que a Mia de Se Eu Ficar faria, e que a Mia de Para Onde Ela Foi, consertaria. Adorei esse livro, e para mim já é meu favorito da duologia, e até agora da autora. Considero essa história a grande surpresa literária do ano, porque eu realmente não esperava toda essa belezura em uma história só! É meu novo xodó!! *0*

Bom, o Adam me conquistou, estou tremendamente apaixonada pela história, e leria mil livros sobre eles se ela escrevesse mais. Espero que ela não faça isso, o final ficou muito bem colocado e bem construído. Não há mais espaços ou pontas abertas. E embora eu esperasse, e quisesse algo mais concreto, fiquei bem satisfeita com o modo como ela amarrou as pontas.

O que mais gostei sem dúvida nenhuma, foi ver pelo olhos do Adam toda a história, porque é claro que tinha que haver flashbacks! E a cada flashback, eu só me apaixonava mais pelo personagem. Outro ponto alto da história para mim, foi perceber que toda a perda, toda a dor, e a inconformação com toda essa injustiça, não era só da Mia. O Adam perdeu muito. Perdeu tudo. E ainda assim, tentou seguir.

"E, quanto a ser enfermeiro e tal, sou eu que
estou precisando de um. Sou eu que tenho a bagagem."

A mensagem do livro foi muito bem passada, a história recompensa muito bem todas as faltas de Se Eu Ficar, o Adam encanta, a Mia está merecendo um abraço, e posso dizer que a autora ARRASOU com esse livro! Comovente, doce, sensível, provou que sempre há uma luzinha no final do túnel. E transformou o Adam, em um amigo que levarei para sempre comigo. Foi bem difícil me despegar quando terminei, e agora é mais difícil ainda deixá-los ir. 

Espero que tenham gostado, e que se você leu Se Eu Ficar, e assim como eu ficou com aquela sensação de que não era nada do que você esperava, leia Para Onde Ela Foi. E depois venha me contar o que achou! Garanto, que não vai se arrepender ;) 

Você começa a me examinar
Então passa a me dissecar
Daí é hora de me rejeitar
Espero pelo dia em que você vai me ressuscitar
“Animate”

"Está caindo o mundo."

Bjokas e até a próxima...












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