Lá Vem Resenha: Quando Tudo Volta


Quando Tudo Volta
Autor: John Corey Whaley

Editora: Novo Conceito


Páginas: 224


Classificação: 4/5


Sinopse: Quando Tudo Volta - Uma morte por overdose. Um fanático estudioso da Bíblia. Um pássaro lendário. Pesadelos com zumbis. Coisas tão diferentes podem habitar a vida de uma única pessoa? Cullen Witter leva uma vida sem graça. Trabalha em uma lanchonete, tenta compreender as garotas e não é lá muito sociável. Seu irmão, Gabriel, de 15 anos, costuma ser o centro das atenções por onde passa. Mas Cullen não tem ciúmes dele. Na verdade, ele é o seu maior admirador. O desaparecimento (ou fuga?) de Gabriel fica em segundo plano diante da nova mania da cidade: o pica-pau Lázaro, que todos pensavam estar extinto e que resolveu, aparentemente, ressuscitar por aquelas bandas. Em meio a uma cidade eufórica por causa de um pássaro que talvez nem exista de verdade, Cullen sofre com a falta do irmão e deseja, mais que tudo, que os seus sonhos se tornem realidade. E bem rápido.





" Porque eu estou acordado em um mundo de pessoas que dormem."

Hey meus amores! Acho que o que mais me chamou atenção nesse livro foi a capa. Com toda essa delicadeza do azul, e do pássaro em preto, e essas letras grandes em branco. Essa arte visual ganhou meu coração. E combina muito com a história do livro também.


A história em si me lembrou muito Perdão Leonard Peacock. Uma narrativa mais leve, com um tema intenso, um personagem doce e meio perdido, e essa pitada poética. Realmente amei a leitura, que aconteceu no momento certo. Eu precisava dar aquela pausa na leitura, e esse livro foi a solução!



"Não consigo ser pessimista por tempo
suficiente para ignorar a possibilidade de as coisas serem extremamente boas."

Havia acabado de passar por muitas emoções com outras leituras e estava de ressaca literária, mas claro, que parar de ler não era nem opção. Então, eu conheci essa história cheia de poesia e reflexão. Acho que essa palavra define a leitura. Muita reflexão! 



Era o que acontecia em Lily. As pessoas sonhavam. As
pessoas partiam. E todas elas voltavam."

O autor tem o incrível poder de nos fazer estar dentro da história junto com os personagens, e ao mesmo tempo fora. Como se olhássemos distantes de fora, mas sentíssemos tudo o que o personagem sente e passa. E o que mais apreciei, foi o personagem principal. Que mesmo sentindo tudo de forma muito forte, intensa e real, consegue o tempo todo manter a calma, a postura e a leveza. Se eu conseguisse defini-lo em uma palavra seria estranho. Porque? Porque nunca tinha visto nada assim! 


A história gira em torno de Cullen e seu irmão, Gabriel. Cullen é um garoto quieto e muito introspectivo. Sempre na sua, tem seus pensamentos anotados em um caderno como títulos de livros que nunca irá escrever.

Eu achei esse personagem bastante interessante. Ele é quieto, e muito introspectivo. Por ele ser quietinho eu achei que ele seria meio invisível, mas na verdade, ele tem amigos, um melhor amigo muuuito legal e próximo, Lucas, e já teve namoradas.

O que eu quero dizer é que ele não é aquele garoto estereotipado, que nunca namorou, que não tem amigos, ou esse tipo de coisa. Mas ele é tão quieto, que a gente imagina que ele seja assim. Mais uma vez, o autor me surpreendeu com essas características tão adversas que fizeram do personagem alguém real.

Os personagens secundários são fundamentais para a compreensão final da história. O Lucas até hoje é o personagem mais real que já li. Ele é aquele tipo de amigo que te anima quando você precisa, está sempre ao lado para o que se precisa, compartilha alegrias e tristezas. Mas não é o tempo todo bonzinho. Briga quando necessário, perde a cabeça algumas vezes, tem seu problemas familiares, e seus próprios demônios contra os quais lutar... Ele é muito humano.


Se você prestasse atenção a qualquer janela em Lily na semana em que descobrimos isso, daria para ouvir o silêncio ensurdecedor da decepção."

Os pais de Cullen, a tia dele e seu primo - que morre logo no início do livro por overdose, aliás é assim que a história começa - são personagens importantes para a história, para fazer dela mais crível e ainda mais surpreendente. Em nenhum momento eles se tornam pessoais o suficiente para que nós possamos odiá-los ou amá-los, mas o suficiente para fazer a diferença. 

Essa história é cheia de altos e baixos. E o que mais gostei nisso tudo, é que o autor consegue montar uma trama inacreditável, que se fecha em um grande circulo de confusões. Ele também conseguiu finalizar muito bem, embora eu ainda me pergunte se realmente entendi tudo.

Cullen leva uma vida pacata, em uma cidadezinha de interior, onde ele estuda, trabalha e faz de tudo para ser invisível. Tem um melhor amigo muito popular, e um irmão no mínimo respeitável. Essa é a vida de Cullen Writer. Porém, não é isso o que ele quer da vida.


Era mais fácil para mim
detestar todo mundo na cidade do que me detestar por ter medo de ser como eles."

Embora Cullen sonhe em ter uma vida diferente, ele tem plena certeza de que nada, nunca, vai mudar. Mas,o inesperado acontece. Talvez cedo de mais, e de forma errada demais.


" (...) Existe uma coisa nos seres humanos, uma necessidade inominada de se sentir útil. De sentir que temos algo significativo com que contribuir."

Em paralelo a história de Cullen, conhecemos a história de Cabot. Um filósofo que ao perder o amigo ainda na faculdade, por suicídio, resolve desvendar o grande segredo da existência humana, baseada nas anotações do colega morto. O que ele não sabe, é que esse amigo era filho de um homem viciado em religião, que se tornou missionário para agradar o pai, e que por falhar em uma missão se suicidou. 


Estou estudando filosofia, porque, bom, vou mudar o mundo."

Não há muito o que descobrir sobre as anotações, mas com o passar do tempo, isso se torna uma obsessão. Obsessão essa, que destrói seu casamento, sua vida, seu emprego. E por fim, acaba por quase destruir a vida de outras pessoas também.


Cabot Searcy, de repente, se viu consumido por pensamentos
prepotentes de como poderia, sozinho, salvar a humanidade."

Não gostei do Cabot. Na verdade, ele não fazia muita diferença para mim no início, mas depois ficou insuportável. Ele enlouquece de uma maneira, que fica realmente difícil continuar. Se não fosse pela revelação que essa parte da história trás, eu provavelmente, teria demorado uns duzentos anos para terminar.

Quando Gabriel some, tudo que antes era pacato e silencioso, fica insuportavelmente barulhento e agitado. Na mesma época do desaparecimento de seu irmão, ou fuga?, um pássaro, Pica -Pau Lázaro, até então extinto resolve aparecer na cidadezinha. E enquanto o mundo todo olha para o céu em busca do pássaro, a única coisa que Cullen pode querer, é que seu irmão volte para casa.


Espero que o céu tenha se aberto e meu irmão tenha flutuado direto para dentro dele."

Essa parte da trama é inacreditável! O autor conseguiu fazer algo para o qual eu bato palmas! rsrs. Ele coloca o personagem na berlinda, com toda a cidade prestando condolências, ajudando, levando comida, mas nunca esquecendo do pássaro. Enquanto Cullen, quer que todos procurem Gabriel, que parem de olhar para ele com pena, que esqueçam o pássaro idiota que tira a tenção de seu irmão desaparecido, e que tudo volte ao normal. 


"Seu irmão, ele pensa, estava apaixonado por todos que
conhecia."

Ele faz do personagem alguém em conflito. Tentando levar uma vida normal, com o coração despedaçado pela falta do irmão. Recebendo mais atenção do que gostaria, e ainda assim não sendo o suficiente. É impressionante! Senti toda a raiva, dor, tristeza e solidão colidindo com a esperança, frustração, perda e o início de tudo outra vez...


" O cérebro tem um jeito de não permitir que você se
esqueça de coisas das quais gostaria de se esquecer. Quando tenta se esquecer do rosto de alguém, não consegue tirá-lo da cabeça. É assim que funciona, eu acho. Seu cérebro nunca permite que você dê as coordenadas."

Nesse misto de sentimentos, somos carregados de forma rápida e leve para o desfecho da história. Cullen, me fez me sentir como ele em vários momentos. E seu amor pelo irmão me tocou profundamente. tenho uma relação muito próxima e profunda de amizade e companheirismo com meus irmãos, então quase enlouqueci só com os sentimentos dele.


"— Não importa. Não é essa a questão. A questão é que você, ou melhor, nós precisamos aprender a nos acalmar e entender tudo antes de separar as coisas.
— Por quê? — perguntei.
Porque sempre acabamos estragando as coisas antes de elas começarem."

Essa relação é outro ponto que merece destaque. Eles são tão unidos, que Cullen não se importa por seu irmão ser mais popular que ele. Na verdade, ele ama e admira o irmão mais do que tudo. E isso torna a narrativa e a história ainda mais dolorosa, surpreendente, e principalmente mais emocionante.


" Uma parte de meu próprio ser havia desaparecido com
ele. As histórias sobre nós dois só podiam, a partir de então, ser contadas por apenas uma perspectiva. As lembranças podiam ser contadas, mas não compartilhadas."

Gabriel é o tipo de personagem evoluído. Daqueles que a gente quer saber o que pensa, e o porque de pensar assim. Que sente falta quando o livro acaba, e que faz falta quando some. Quando ele sumiu, só o que eu conseguia pensar é que ele havia fugido. Mas, ele era inteligente demais para isso, e o que realmente aconteceu me deixou em choque. 


Meu rosto permanecia inexpressivo enquanto o
mundo girava ao meu redor como se eu fosse o sol."

Criei laços estreitos com os personagens desse livro por me sentir um pouco parte de tudo. Adorei todos os cenários que o autor criou como fundo dessa história, que mais do que um livro é uma obra de arte. Amei a narrativa doce, fluida, leve e cativante do livro. As reviravoltas são as mais surpreendentes possíveis. E a delicadeza do autor em relação a escrita me fascinaram. 


Um irmão representa o passado, o presente e o
futuro de uma pessoa. Perder um irmão é perder a única
pessoa com quem se divide um elo de vida que deve continuar pelo futuro."

Acredito que por ser tão reflexivo e único, nem todo mundo vai se dar bem com a leitura. Ela pode parecer por muitos momentos meio superficial. Mas acho que isso vai de leitor para leitor. Me deliciei com cada página lida, e essa leitura não poderia ter vindo em hora melhor. O final é tão surpreendente e simples, que ainda não acredito, mas vale muito a pena!! O autor fechou e ligou todas essas vidas, histórias, e sentimentos com chave de ouro!


" Quando alguém está se sentindo triste ou desesperançado, a última coisa que precisa sentir é que é a única pessoa no mundo se sentindo assim."

Indico a todos aqueles que gostam de leituras leves, que nos levam para longe sem nos tirar de nós mesmos. Que nos faz refletir sobre o livro depois que acaba, e que tem personagens tão reais que poderiam ser nossos próprios vizinhos, amigos e conhecidos. Uma leitura suave, que nos toca profundamente. 


O mundo não pode ser
satisfeito, porém essa necessidade de consertar tudo pode."

Espero que tenham gostado, e que não deixem de me dizer o que acham, ou se já leram ;)

Nos vemos em breve! Bjokas.

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