16 junho 2014

Resenha: Se Eu Ficar



Autor(a): Gayle Forman

Páginas:  224

Classificação: 4/5

Sinopse: Depois do acidente, ela ainda consegue ouvir a música. Ela vê o seu corpo sendo tirado dos destroços do carro de seus pais – mas não sente nada. Tudo o que ela pode fazer é assistir ao esforço dos médicos para salvar sua vida, enquanto seus amigos e parentes aguardam na sala de espera... e o seu amor luta para ficar perto dela. Pelas próximas 24 horas, Mia precisa compreender o que aconteceu antes do acidente – e também o que aconteceu depois. Ela sabe que precisa fazer a escolha mais difícil de todas.


" Finja até ser verdade."

Hey amores! Estou aqui para falar de um livro que teve um efeito sanfona durante um bom tempo comigo. Sempre que eu tinha vontade de ler, vinha outro e ai eu perdia completamente o interesse nele. E depois a vontade de lê-lo voltava com força total, e lá estava eu de novo de quatro pelo livro, e vinha outro e... Demorei para conseguir parar e dizer: Já chega! Está na hora de lê-lo.  E foi o que eu fiz.

Acho que grande parte dessa decisão, foi pelo fato do filme chegar ao Brasil no início de setembro. E eu querer é claro, já estar a par dos acontecimentos da história e avaliar completamente. Li o livro de uma tacada só. Não dá para parar antes de terminar, é muito rápido o desenrolar dos acontecimentos, e um livro é inteiro. Não dá para dividir em partes ou ir parando. É um fôlego só e pronto! Já faz algum tempo que não leio assim.

A história da Mia é uma linda história de amor, perdão e recomeços. Ok, no início já é isso. Então no desenrolar da leitura vamos vendo essas mesmas fases sendo repassadas em outra situação. Porque é só disso que o livro fala. Embora sendo bastante curto, ou eu li rápido demais, ele é bastante duro. É quase calculado demais. E isso não tirou o mérito da escrita, não. Pelo contrário, me fez virar fã de Gayle Forman! Ela tem um modo bastante peculiar de escrever. Sereno, forte, sensível sem ser demasiadamente doce. Ela consegue colocar tudo muito prático, muito real, e as vezes isso soa um pouco frio diante a difícil situação de Mia.

"Até agora.

Agora não existe mais até agora. Acabou."

O que eu posso dizer de Mia é que ela não é aquele tipo de personagem que depois da leitura você se pergunta se existe alguém assim, ou faz dela sua amiga pessoal. Ela é muito forte em personalidade, um pouco perdida em si mesma. Teve alguns momentos em que eu a achei um pouco difícil, outros em que para mim ela foi um pouco infantil, ou adulta demais. Ela ia mostrando aos poucos todas as faces dela, que formam ao fim do livro a personalidade caraterística de uma pessoa. E isso fez dela alguém bem real, uma pessoa com defeitos e qualidades. E que  você pode amar ou odiar.

"De qualquer forma você vence. E de qualquer forma você perde. O que posso te

dizer? O amor é uma merda.”

Essa não é uma história em que você vai chorar o livro inteiro, ou vai conseguir morrer de rir de algum personagem, ou de alguma passagem do livro. Como eu disse ele é bastante forte e real, sem rodeios ou floreios. Ele é simplesmente um fato! E eu consegui me impressionar ainda mais com o fato de por ser tão real e simples não ter me feito odiá-lo. E ao invés disso, me fez amá-lo e colocá-lo entre uns dos meus favoritos.


"A vida pode levar vocês para caminhos diferentes. Mas são vocês que decidem
para qual vocês vão seguir.”

Mia tem apenas 17 anos. As vezes parece ter 27 de tão madura e adulta. Mas as vezes consegue parecer ter somente 7, com seu jeito ingenuo e infantil nem sempre agradável. Isso me fez ter sentimentos ambíguos em relação a ela. Um ponto a seu favor, foi o amor que ela nutre pela família, e o orgulho que ela tem de seus pais tão diferentes. É um orgulho nato. Um carinho, um amor, uma gratidão, por fazer parte dessa família tão diferente, que te machuca de verdade o que aconteceu. E o seu amor por Teddy, seu irmãozinho, me fez gostar dela. Acho que foi esse o real motivo para eu gostar dela.

Embora em muitas partes da história ela não saiba se realmente pertence ao mundo do qual sua família faz parte, em parte pela semelhança física que ela não tem, em partes pelo gosto musical completamente oposto, ela sabe que eles são tudo o que ela tem, e tudo o que ela quer ter. Uma família diferentemente rica, na cultura e nos pensamentos, opiniões e modo de ser. O que torna tudo muito mais interessante ao meu ver. E ela os ama de verdade por isso.

“Todos os relacionamentos são
duros. Assim como com a música, as vezes você tem harmonia e as vezes uma

cacofonia. Não tenho que te dizer isso.”

Ela tem o apoio da família para tudo. Eles são doces, carinhosos, presentes. Ela tem uma mãe incrível! Eu adorei a mãe dela. O pai dela é um amorzinho também, e eles passam lições preciosas apesar de tudo. O que mais choca é o fato de em uma manhã de passeio, quando era para tudo melhorar em um dia de folga por culpa de uma fina neve que caia, o mundo virou de cabeça para baixo para todos eles. É daí, do fatídico dia, que Mia vai nos contando sua história e suas experiências com família,amigos e namorado. E é aí que as coisas começam a ficar realmente difíceis!


"Eu percebo agora que morrer é fácil. Viver
é difícil."

No começo ela está muito em choque com tudo, e por isso é claro, a dor não é tão impactante. Mas quando ela começa a perceber tudo o que perdeu, e tudo o que tinha, ela não quer mais lutar. Não há mais sentido em um mundo onde ela não terá mais as pessoas que fizeram dela quem ela é. Eles eram realmente demais! Foi difícil até a para mim, aceitar o que estava acontecendo, e tudo o que ela havia perdido. Mas me forcei a continuar.

Temos o livro inteiro, ao redor de uma Mia confusa e perdida. Estamos no escuro, tanto quanto ela. E vamos sendo apresentados as suas memórias gradativamente, quando ela vai contando a sua história e nos apresentando os personagens secundários. Que inclusive são importantíssimos para o desenrolar de tudo. Adorei os avós dela! Principalmente o avô. Sempre calado e quieto, fazia de seu silêncio tudo que ela queria ouvir. Com opiniões muito particulares, e um jeitinho muito doce é com certeza meu personagem favorito.

A melhor amiga de Mia, é outra que merece destaque. Kim é uma garota diferente de todas as outras personagens que eu já vi. Ela não é engraçada, ou séria. Ela tem um estilo muito próprio para tudo! E eu gostei bastante disso. É decidida, forte como uma muralha e é um ponto forte do livro a relação delas duas. Também há o doce Adam. Não sei muito bem o que dizer sobre ele, porque não se fala muito de quem ele é. Isso agente vai percebendo com o passar das páginas. Ele é doce, inteligente, tímido e extrovertido. E embora eu tenha achado a relação deles bem estranha, não tive como não me emocionar pelo carinho e amor por ele despejado nessa história. Acho que essas foram as partes em que mais detestei Mia, os pontos fora dela. Ela era bastante infantil quanto a esse relacionamento, e as vezes muito imatura também. A insegurança dela nela mesma, transformou a relação deles em algo incerto, meio oco. Mas acredito que é porque o foco todo estava em cima da tragédia na qual ela estava metida.

"As vezes você faz escolhas na vida e as vezes as escolhas fazem

você. Isso faz sentido?”

Tudo se passa em questão de um dia. Ela fica muito mal um dia, e nós sabemos o que aconteceu com ela e com quem está ao seu redor nesse dia. E só! Isso dá uma visão muito unilateral das coisas, mas não tem como não bater palmas para Gayle. No final do livro estava em lágrimas. Não as pude evitar. Não que realmente seja um livro que vai necessariamente te fazer chorar. Mas faz agente repensar a vida. Mudar os conceitos de morte. Viver intensamente cada momento, e não desistir na primeira pedra no caminho. Me fez refletir sobre as minhas ligações emocionais, até onde iria por que amo? Que eu realmente sou? Essa é quem eu queria ser? Isso faz diferença? Todos nós temos uma forma estranha de querer perfeccionismo, quando não somos perfeitos. Isso é ser normal. Não basta estramos vivos, precisamos viver, estar, ficar. 

" Eu posso perder você assim se eu não te perder

hoje. Eu te deixo ir. Se você ficar.”

O livro é um ótimo livro! Só não é algo com o qual estamos habituados. Talvez por isso, me pegou de surpresa e resolveu ficar, se tornou um dos favoritos. Indico a todos. É uma história linda, cheia de reviravoltas, e passagens inspiradoras. Tem uma escrita leve, com um tema forte. Uma escrita simples, minimalista, e real, sem ser cruel. O romance realmente não é o ponto forte da história, mas com certeza esse livro tem algo a ensinar. 


"Eu tenho o
pressentimento que depois que você sobrevive de algo assim, você se torna um
pouco invencível."

Para Ler Ouvindo: Say Something - A Great Big World Feat Christina Aguilera


 


Espero que tenham gostado.
Bjokas e até a próxima.

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