Resenha: Querida Sue



Autor(a): Jessica Brockmole

Páginas: 255

Classificação: 4/5

Sinopse: Março, 1912: A jovem poeta Elspeth Dunn nunca viu o mundo além de sua casa, localizada na remota ilha de Skye, noroeste da Escócia. Por isso, não é de espantar a sua surpresa quando recebe uma carta de um estudante universitário chamado David Graham, que mora na distante América. O contato do fã dá início a um intercâmbio de cartas onde os dois revelam seus medos, segredos, esperanças e confidências, desencadeando uma amizade que rapidamente se transforma em amor. Porém, a Primeira Guerra Mundial força David a lutar pelo seu país, e Elspeth não pode fazer nada além de torcer pela sobrevivência de seu grande amor. Junho, 1940, começo da Segunda Guerra Mundial: Margaret, filha de Elspeth, está apaixonada por um piloto da Força Aérea Britânica. Sua mãe a alerta sobre os perigos de um amor em tempos de guerra, um conselho que Margaret não quer ouvir. No entanto, uma bomba atinge a casa de Elspeth e acerta em cheio a parede secreta onde estavam as cartas de amor de David. Com sua mãe desaparecida, Margaret tem como única pista do paradeiro de Elspeth uma carta que não foi destruída pelas bombas. Agora, a busca por sua mãe fará com que Margaret conheça segredos de família escondidos há décadas. Querida Sue é uma história envolvente contada em cartas. Com uma escrita sensível e cheia de detalhes de épocas que já se foram, Jessica Brockmole se revela uma nova e impressionante voz no mundo literário.




"Se soubesse o que é correr atrás de alguém por uma breve nesga de tempo, se soubesse como o mundo para de rodar, só por um instante,

quando você o tem nos braços, e em seguida recomeça com tanta rapidez que você cai no chão,zonza. Se soubesse como cada alô machuca mais do que uma centena de despedidas. 
Ah, se você soubesse!"

Hey amores e amoras! Assim que Querida Sue teve sua capa e sinopse revelada, eu estive certa de que teria que lê-lo. Primeiro há a minha grande curiosidade pelo período mais sombrio da existência da humanidade, a segunda guerra mundial. E depois tem minha paixão irrefreável por romances em cartas. Acho que ainda acredito que essa é a melhor forma de declarar e celebrar o amor.

Utopias e sonhos românticos a parte, esse livro já havia se tornado leitura obrigatória, afinal, não é todo dia que encontramos um livro que une nossos temas favoritos em uma só história! Tocante e sensível, são palavras chaves para essa história. Com uma escrita profundamente marcante e com toda a sua complexidade de personagens, me fez refletir sobre tudo que a guerra traz, e tira. Sem saber se haverá uma segunda chance, tudo que se tem é o momento, que quando não bem aproveitado, viram fantasmas afim de atormentar.


"Não se pode acreditar em nada do que é dito em tempos de guerra. 
As emoções são tão fugazes quanto as noites serenas." 

No começo, diante as minhas grandes expectativas e toda minha inquietação para saber a verdade por trás de toda aquela história de guerra, eu achei o livro maçante. Estive por várias vezes me perguntando se não tinha me antecipado demais, ou me precipitado. Mas nunca vi uma melhor prova daquela velha frase: Para se alcançar o pote de ouro no fim do arco-íris, primeiro temos que atravessar a chuva. E quem tem coragem de se molhar, encontra algo bem melhor que um pote de ouro. encontra o mais profundo, e o que de mais belo se tem de dois seres humanos, a alma. Cheia de sonhos, sentimentos confusos, e um só sentimento em comum, o amor.


" Os dois mantinham os olhos no horizonte, como se buscassem um modo de
tocá-lo. E, quando entregaram o coração, os dois o perderam para sempre."

David e Sue, ou Elsphet como preferirem, são tão diferentes como duas pessoas podem ser. E o que pensamos não passar de uma admiração se transforma bem diante dos nossos olhos em uma linda e trágica história de amor. O que de início eu julguei ser maçante, nada mais era do que o início de um amor puro e proibido.  Não havia forma da carta de admiração de um fã ter tanto impacto na vida de alguém, teria? No caso de Sue sim, teve.

" Quando você desceu do trem e um feixe da luz do sol atravessou o vidro do telhado e a iluminou, até um ateu teria visto naquilo o dedo de Deus."


Uma carta, de pura admiração, mudou completamente o rumo da vida desses dois personagens. David, um menino ainda, está em busca de um futuro brilhante, algo diferente, o que não é visto com bons olhos por ninguém ao seu redor. Em busca de novas emoções, uma vida com cor, e principalmente de um sentido, ele é imbatível! Não se contenta tão fácil, e está sempre insatisfeito, vivendo de forma intensa do jeito que dá, encontra em Sue uma companheira, que antes inexistente, agora fundamental.

E Sue, uma jovem poetisa cheia de sonhos e de alma leve como o vento, vê em David, seu porto seguro. Uma forma de se manter forte, em um mundo que já não parece fazer tanto sentido. Aparentemente, a carta de David é o que começa toda a confusão em que a vida deles, principalmente a dela, se torna. Mas na verdade, o que ele começou foi algo tão extraordinário, que depois de feito nenhum dos dois quis sair.

A vida de Sue já estava completamente criada. E seu destino, completamente traçado. Mas toda a aventura e poesia que há movia, continuava fervilhando dentro dela, fazendo com que ela sonhasse com tudo aquilo que havia planejado para si, e não pode concluir. Casada antes do 30, e conformada com sua vida simples e medíocre, escrevia poemas e morava em Skye. Uma ilha escondida na Escócia. Até receber a carta de David, não acreditava que conseguiria viver toda aquela aventura e exploração do mundo, com que tanto sonhava. Mas tudo mudou de forma muito rápida...


Eles começam um relacionamento por cartas, com cada vez mais frequência escrevem um para o outro. E logo há uma rede de sentimentos montada. O marido de Sue, Ian, vai para a guerra sem nem ao menos lhe dar uma explicação. E ela sê vê perdida e sozinha no meio de um momento bastante delicado. Após algumas cartas, cada vez mais confusas e apaixonadas, eles se rendem a essa paixão. E o que parecia sonho, vira pesadelo.

Embora Davi tenha tirado Sue de sua zona de conforto, e encontrado nela sua real força., ele parte em busca de seus sonhos e isso os afasta para sempre, ou melhor, quase sempre.

Uma coisa que me deixou fascinada, é a quantidade de reviravoltas que o livro traz. Sempre tem algo impactante prestes a acontecer quando agente ainda nem se recuperou da bomba anterior. E cada vez mais, o leitor vai se vendo dentro daquilo tudo, e se torna impossível ser indiferente.

" Por favor, não entregue seu coração sem perceber, porque, minha doce menina, talvez nunca o receba de volta."

Em vários momentos eu quis sacudir a Sue pelos ombros e perguntar o que ela realmente queria. Mas ela estava confusa com relação aos seus sentimentos, e tudo pelo que ela passa faz agente parar para pensar no lado dela, e refletir. E tem os personagens secundários, que para mim tornaram tudo ainda mais perfeito! O irmão da Sue, sem dúvida, de longe, foi o meu personagem favorito! A história dele é bem pior que a dela. E ele sofre traições por todos os lados, levando-o a total reclusão de sua própria família. Eu sofri muito por ele! E a Margaret, filha da Sue, ela é incrível!!! Forte e decidida, não deixa que todas as convicções sobre amor e guerra de sua mãe, afetem seu relacionamento, e claro muda todo o rumo da história. Acho que se não fosse por ela, nada teria se resolvido. Embora tenha havido muitas tentativas por parte de todos os envolvidos.

O final do livro é de tirar lágrima dos leitores. Me lembrou um pouquinho, mas bem mais emocionante, Cartas Para Julieta. Fiquei feliz em como a autora conseguiu ligar todos os pontos, sem deixar nenhuma ponta solta. E aquele " e foram felizes para sempre" que parecia tão impossível, se tornou realidade. É um livro de amor, o mais puro e real amor. Indicado para todos aqueles românticos incorrigíveis, e todas aquelas pessoas que querem se deslocar dessa época. 


" Devia tê-la ensinado a proteger seu coração. Ensinado que uma carta
nem sempre é apenas uma carta. As palavras na folha são capazes de inundar a alma. 
Ah, se você soubesse..."

Espero que tenham gostado!

Bjokas e até a próxima.



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